O homem do apito.
Crônica da semana : Arbitragem
Escrito: Nivaldo Barbosa - www.futebolitabirano.com.br
No futebol amador de Itabira ou em qualquer cidade, existe um personagem nos campos de várzea que quase nunca recebe aplausos, mas sem ele a bola simplesmente não rola, o futebol perde sua essência. Estamos falando do homem do apito e seus auxiliares. Para muitos Juiz, árbitro ou até mesmo “professor”, como virou moda chamar entre as quatro linhas. Nome bonito, função difícil de ser exercida, principalmente nos campos de várzea, muitas vezes de terrão.
Conduzir uma partida nos campos de
várzea está longe de ser tarefa fácil. O primeiro desafio começa antes mesmo do
apito inicial. Muitas vezes não existe vestiário, a troca de roupa acontece em qualquer canto
do campo. Alguns já chegam uniformizados de casa, prontos para mais uma batalha
de noventa minutos.
Os árbitros carregam ainda uma
fama curiosa: são os únicos que parecem ter duas mães. Uma fica em casa,
enquanto a outra vai para o campo. Essa, coitada, acaba recebendo os “elogios”
mais criativos e bizarros que o futebol amador consegue produzir.
Seus bandeiras hoje chamadas de
assistentes, coitados, são os mais perseguidos durantes os noventa minutos da
partida, e um tal de foi não foi, você e cego, não viu que foi e por ai vai, o
que os deixa loucos, principalmente por estar correndo próximo aos alambrados,
quando tem.
Agradar os dois lados é
praticamente impossível. A pressão vem de dentro das quatro linhas, passa pelos
bancos de reservas e explode na torcida. Cada falta marcada vira discussão,
cada impedimento uma revolta, cada pênalti um julgamento. No fim das contas,
quase sempre sobra para quem está segurando o apito.
Mas existe uma verdade que
ninguém pode negar: sem esse personagem não existe espetáculo. O árbitro também
faz parte do jogo, da emoção e da história do futebol amador. É preciso
entender que errar faz parte do esporte, para jogadores, técnicos e também para
quem apita.
Que a intolerância dê lugar à
compreensão. Que a violência dê espaço à vibração da torcida. E que o respeito
volte a caminhar lado a lado com o futebol, porque sem o homem do apito, o
domingo nos campos perde parte da sua essência.
Uma boa semana a todos e viva
nosso futebol amador.
